Texto 13: Guerrilla Girls: a máscara como (des)ocultação. Considerações sobre o corpo queer, a performance radical e a máscara no a(r)tivismo das Guerrilla Girls

Pina, Sónia (2008), “Guerrilla Girls: a máscara como (des)ocultação. Considerações sobre o corpo queer, a performance radical e a máscara no a(r)tivismo das Guerrilla Girls”, Congresso Feminista, Artes e Feminismo; Actas do Congresso Feminista: “Quem Tem Medo dos Feminismos?”, Colecção Pallar Athenas – Feminismos, Vol. I e II, Nova Delphi, Lisboa; ISBN: 978-989-8407-01-6/02-3

Posteriormente a 1972, o Movimento da Arte Feminista (Women’s Art Movement), que surgiu em Nova Iorque, consolida-se numa primeira fase e progride para a designada fase de “guerrilha”. Actualmente, poder-se-á indicar uma terceira fase deste movimento, que se traduz essencialmente pela tendência ciber-feminista, designada por Rosi Braidotti como Cybergrrl-ism. Esta formulação do movimento diferencia-se pela expansão do seu território de intervenção para temas tão abrangentes como as gerações, a economia e direitos, a educação, as formas de discriminação, colocando-se estrategicamente no plano global da comunicação.[1]

Atentando ainda na segunda fase do colectivo, a acção “guerrilha” visava directamente a produção de resultados imediatos perante as instituições, especificamente dirigida aos museus e a galerias. Com o tempo, o processo tornava-se mais concertado e mais definido, produzindo uma rede de estruturas-chave que funcionavam a um outro nível, o que passou pela criação de organizações de mulheres, da criação de centros artísticos, da abertura de galerias, da organização de conferências e painéis de discussão, e através de publicações.

A partir de 1980, o activismo feminista na arte foi dominado por um novo grupo que resultou deste processo: as Guerrilla Girls, que surgiu em reacção à retrospectiva da exposição de pintura e escultura apresentada em 1984 pelo Moma (The Museum of Modern Art), onde se encontravam expostas menos de 10% de mulheres artistas. As Guerrilla Girls, em protesto nas ruas do SoHo, distribuíram cartazes com clara conotação irónica em que denunciavam a realidade inerente ao mercado da arte institucionalizado, visando especificamente a reduzida representatividade de mulheres. Apelidavam-se de “consciência do Mundo da Arte” e, por meio de estratégias de intervenção artística radicais, advertiam para as formas de discriminação socialmente legitimadas e, a um tempo, desconstruíam ideias feitas, tradicionais, relativas ao feminismo, como é disso exemplo, o projecto “as feministas podem ter humor” que poderá ser consultado no seu site [2].

Este momento histórico do movimento constituiu uma viragem no modo de entender a linguagem artística das mulheres, ou seja, a idiossincrasia entre a mulher representada e a mulher que se auto-representa. (…)

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About Sónia Pina

Investigadora em Filosofia da Comunicação, New-media, Old-media, Ontologias digitais, Fluxus, Visualismo, Info-estética (protocolos visuais da comunicação), Intermedialidades na arte;

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