Florian Hecker :: Articulação

Articulação – Hinge

Performance e exposição de Florian Hecker

Arte acústica e exposição
Performance: 25.09.2012 às 19h30
Exposição: 26.09.-25.11.2012
Jardim Botânico da Universidade Lisboa
Rua da Escola Politécnica, 58
1250-102 LisboaLumiar Cité
Rua Tomás del Negro, 8a

1750-105 Lisboa

Entrada livre
+351-2188245-10
info@lissabon.goethe.org

Nas suas instalações sonoras, performances e edições discográficas, Florian Hecker(1975, Augsburg, Alemanha) negoceia com desenvolvimentos particulares na composição musical da modernidade do pós-guerra, com a música eletroacústica, bem como com outras disciplinas. Hecker dramatiza o espaço, o tempo e a autopercepção, isolando eventos auditivos específicos na sua singularidade e, assim, estendendo os limites da sua materialização.Dando seguimento ao trabalho que apresentou na DOCUMENTA 13, em Kassel (Alemanha), Florian Hecker pediu ao filósofo e escritor iraniano Reza Negarestani um ensaio para lhe servir de suporte a um novo trabalho a desenvolver em Lisboa, no âmbito de uma residência artística do Programa Internacional de Residências da Maumaus com o Goethe-Institut Portugal e com o co-financiamento da Secretária de Estado da Cultura/Direcção-Geral das Artes.

O texto, originalmente escrito em inglês, estabelece um jogo dentro do binómio natureza-cultura e foi traduzido para português, de forma livre e interpretativa. Quatro convidados procederam separadamente à leitura dos textos, dois em inglês e dois em português, numa câmara anecoica, um espaço hermético que impede a existência de eco. Posteriormente, Hecker submeteu a gravação áudio a um depurado processamento digital, até um possível ponto limite de compreensão do que é dito.

O artista utiliza o termo “quimerização” para nomear o processo de atribuição de qualidades de uma voz a outra. No caso deste trabalho, a esta desconstrução que acaba por ser narrativa, junta-se o facto de as vozes terem sido gravadas na referida câmara, o que retira à palavra falada a hipótese de reverberação. A impossibilidade de reflexão existente nessa câmara altera a forma como os locutores leem o texto, por via de uma reforçada autoconsciência do som da própria voz, que se modifica. No processamento digital da gravação, Hecker transforma uma voz diferenciada numa outra, incerta, genérica e indistinguível. Porém, no produto final é sempre notório que a qualidade única da voz humana não desaparece no processo. O que interessa a Florian Hecker é saber o que ocorre quando retiramos a componente “personalidade” do esquema locutor/mensagem/ouvinte.

O resultado do trabalho do artista é apresentado em forma de uma exposição no espaço Lumiar Cité e de uma performance no Jardim Botânico da Universidade de Lisboa.

Texto: Reza Negarestani
Tradução livre (português): Manuela Ribeiro Sanches
Locutores (português): José António Fernandes Dias, Manuela Ribeiro Sanches
Locutores (inglês): Ruth Wilson Gilmore, Craig Gilmore

Produção: Maumaus – Escola de Artes Visuais
Coprodução: Goethe-Institut Portugal/Festival Cantabile
Colaboração: Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, Centro de Análise e Processamento de Sinais do Instituto Superior Técnico, Meyer Sound

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About Sónia Pina

Investigadora em Filosofia da Comunicação, New-media, Old-media, Ontologias digitais, Fluxus, Visualismo, Info-estética (protocolos visuais da comunicação), Intermedialidades na arte;

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