Silêncio, meu silêncio! Ausência, minha Ausência. Um texto sobre António Barros. ‘Uma Luva na Língua’, Outubro, 2010

A obra de António Barros conforma uma gramática poliédrica, na medida em que dela exala uma inteligibilidade plural, hipostasiando-se nas dimensões estéticas, filosófica, literária, poética, cinemática, entre outras. Inscrevendo o Visualismo, o Fluxus, a Land-art, e fundindo-se com o texto, sustendo óbvia inscrição caligráfica. A nível das linguagens utilizadas, percorre a poesia, a escultura, a vídeo-arte, a instalação, superando, portanto, visões concêntricas de análise e infundindo um olhar que se aloca além dos momentos histórico-sociológicos que a contextualizam, porque compreender arte imporá, de certa forma, a capacidade de coexistir na alteridade, aquietado/a, aguardando o momento da revelação. O artista desenvolveu um percurso personificável na a(r)cção artística, da arte enquanto forma de intervenção permanente, na senda das novas referências oriundas do (pós)estruturalismo linguístico, que prevêem a discussão estética e a práxis artística sob os ângulos da produção de sentido e da performatividade intertextual. O texto é decomposto e recomposto nas suas infinitesimais camadas de sentido, incorporando a qualidade laboratorial, que, por sua vez, se opera na e pela pesquisa contínua das possibilidades experimentais visuais, espaciais e fonéticas da palavra fora da métrica. Esta profusão de “significâncias”, patentes ou latentes, remetem para um agenciamento singular da poiética de António Barros, que nos intima, por definição, a uma (re)descoberta, a uma semiogénese da memória. Materializando-se também o olhar-espelho no processo de imagése da obra, pressupondo-se neste que o reflexo é algo da ordem do mais real que a própria realidade, porque a ‘Verdade’ depende do ver. O rizoma de significados, a sua grande capacidade para conceptualizar a obra e uma lucidez singular, dão-lhe o estatuto de poeta-performer, de a(r)tor, na medida em que os textos na obra, os textos da obra e o dom da escrita que nestes revela, tornam o cerzir em seu torno ab infinitum. (…)
Sónia Pina
[“Silêncio, meu silêncio! Ausência, minha Ausência”. In Uma Luva na Língua, Outubro, 2010 (in press)].

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About Sónia Pina

Investigadora em Filosofia da Comunicação, New-media, Old-media, Ontologias digitais, Fluxus, Visualismo, Info-estética (protocolos visuais da comunicação), Intermedialidades na arte;

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