Festa da Arte, 1.000.051º, CAPC :: 17 Janeiro de 2014

Deu-se, no passado dia 17 de Janeiro, o 1.000.051º aniversário da arte no CAPC – Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, a rememoração do evento 1.000.011º aniversário da arte, organizado por Ernesto de Sousa, pela primeira vez, em 1974.

“A partir de uma ideia de Robert Filliou, em 17 de Janeiro de 1974, Ernesto de Sousa organizou com o Circulo de Artes Plásticas de Coimbra, uma festa comemorativa do 1.000.011º Aniversário da Arte. Na década de 70 e até 1987, Túlia Saldanha foi a figura dinamizadora do Circulo (presidia ou fazia parte da Direcção) e a interlocutora, juntamente com Alberto Carneiro, de Ernesto de Sousa para inúmeras iniciativas. Em 1974, colaboraram no Aniversário da Arte, entre outros, João Dixo, Armando Azevedo, Albuquerque Mendes, Miranda, e Teresa Loff (está fotograficamente documentado). Outros sócios como  José Casimiro, Fernando Pinto Coelho, Alfredo Pinheiro Marques, Ção Pestana, Avelino Sá, Luísa Saldanha, Margarida Mestre, António Barros, Vítor Diniz, não temos informação das dataas em que aderiram ao CAPC e se  participaram  nesta , mas certamente  em iniciativas posteriores”.

(Luiz  Vaz 73, 1976, Alternativa Zero, 1977, Olympia, Pre Texto, SACOM, etc)

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Carta-Convite:

“UMA FESTA PARA CELEBRAR 0 1.000.011° ANIVERSÁRIO DA ARTE
Queridos Amigos
Em 1963 um amigo nosso, Robert Filliou, ao escrever um poema intitulado “Histórias Segredadas da Arte”, teve a intuição de que tudo tinha começado em 17 de Janeiro há um milhão de anos. Como a existência do Homem sobre a Terra está verificada precisamente há cerca de um milhão de anos, o arbitrário daquela data torna-se secundário, e é pacífico proclamar:
HÁ UM MILHÃO E 11 ANOS ARTE E VIDA HUMANA EXISTIAM E CONFUNDIAM-SE… POR QUE NÃO CELEBRAR ESTA DATA?
… numa FESTA, sem arte (convencional) mas que seja ela própria uma verdadeira afirmação de identidade possível e necessária entre a Arte e a Vida?
Para isso NÓS vamos reunir-nos no C.A.P., em Coimbra, com a ideia maior de um convívio simples, gratificante e generoso. ESTAR JUNTOS alegremente e amigavelmente – e saber que isso mesmo se verificará em mais alguns pontos do mundo, num espírito comum. Já o ano passado, em Aix-la-Chapelle se celebrou esta festa. Foi um êxito: houve largadas de balões, música, cerveja, centenas de velas acesas e bolo de aniversário num salão do séc. XVIII cedido pelo Museu local. Este ano repetir-se-á na mesma cidade, em Berlim (onde estará Robert Filliou), em Coimbra, porventura no Canadá e noutros sítios. Enviaremos a uns e aos outros as nossas congratulações e lembranças, a pretexto da Arte e para que seja possível que ARTE e VIDA SE CONFUNDAM em vez de se divorciarem: “A ARTE DEVE VOLTAR AO POVO, AO QUAL ELA PERTENCE”.
A qualquer hora que te convenha VEM TER CONNOSCO. E SE TE FOR POSSÍVEL TRAZ QUALQUER COISA: uma ideia fecunda para um divertimento bom qualquer; um bolo ou muitos bolos; uma garrafa de belo vinho tinto (ou outro, e não te esqueças dos copos, mesmo de papel); velas para fazermos iluminações à noite (e mandarmos uma vela simbólica aos nossos amigos de longe); fitas, panos ou papel para ornamentações, etc, etc. MAS SOBRETUDO VEM TU PRÓPRIO, PARA UM GRANDE ABRAÇO; UM GRANDE APERTO DE MÃO COLECTIVO. Não vais por isto esquecer os teus problemas, e os dos outros que te preocupam, vais talvez é ficar mais confiante para os enfrentar depois. Na melhor das hipóteses. Seja como for: um dia de alegria, será pedir muito? Julgamos que não. E por isso vamos terminar com as palavras do nosso amigo, o “petit Robert”:
POR UM DIA AO MENOS; DEMOS LUGAR À ALEGRIA; AOS DIVERTIMENTOS… TAL COMO ACONTECE NO CARNAVAL, DEIXEMOS CORRER O FIO! TU E A TUA FAMÍLIA; OS TEUS AMIGOS; 0 TEU “PÚBLICO”, FESTEJAI SE VOS APETECER, E TANTO QUANTO VOS APETECER: PROPAGAI A NOTÍCIA, A ESPERANÇA. CONVIDAI TODAS E TODOS, E ESPECIAMENTE TODOS OS HOMENS E MULHERES QUE MANEJAM AS ALAVANCAS MAIS OBSCURAS DA GIGANTESCA INDÚSTRIA ARTÍSTICA: DOMÉSTICAS, CONDUTORES, GUARDAS, CONTÍNUOS, SECRETÁRIAS, DACTILÓGRAFAS, GRÁFICOS – E, BEM ENTENDIDO, OS “IRMÃOS E AS IRMÃS INIMIGAS” DO MUNDO ARTÍSTICO: ARTISTAS, “MARCHANDS”, COLECCIONADORES, CRÍTICOS, DIRECTORES DE MUSEU e GALERIAS… POR UM DIA, AO MENOS, RECONCILIADOS…
VAMOS CELEBRAR?”

In catálogo da exposição Ernesto de Sousa, Revolution My Body, Fundação Calouste Gulbenkian, CAM-JAP, Junho 1998

In CEMES

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About Sónia Pina

Investigadora em Filosofia da Comunicação, New-media, Old-media, Ontologias digitais, Fluxus, Visualismo, Info-estética (protocolos visuais da comunicação), Intermedialidades na arte;

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