do script à acção

De 1 a 23 Setembro 1962 teve lugar o Festival Internacional Fluxus, a ‘nova música’, no Museu Wiesbaden. Os concertos foram realizados em quatro finais de semana nas salas de aula do museu e nesse momento nasceu um movimento artístico que criou uma nova forma de arte, no espírito da filosofia da composição de John Cage e do happening de Allan Kaprow. Inspirado pela ideia de John Cage que som e ruído também podem ser usados ​​como música, os artistas do Fluxus desenvolveram uma arte prática, caracterizada pelo uso de  instruções, pelos chamados eventos-partitura e pelo desempenho de actividades quotidianas executadas de forma geralmente barulhenta. Fluxus desenvolveu a constatação de Marcel Duchamp de que tudo o que um artista apresenta é arte e de que qualquer um(a) é capaz de levar uma vida com arte. Assim, Fluxus é uma arte em que todos podem participar.

do texto à acção

E em Portugal, em meados de 1960 e 1980, Ernesto de Sousa dita as prerrogativas de uma nova ordem ético-estética descendente do movimento Fluxus, pelo que surge uma concepção da arte como intervenção permanente, à margem, uma arte do comportamento, que aspira à aproximação ARTE-VIDA, à diluição de fronteiras entre os diferentes géneros artísticos – MIXED-MEDIA -, nomeadamente a  poesia, a literatura, o teatro, a dança, as artes plásticas em geral, e a música.

Constituindo-se uma nova atitude artística transdisciplinar que se gera no cruzamento entre as diferentes disciplinas artísticas, tornando o acto criativo acto exploratório livre de categorias normativas, adquirindo esta as dimensões laboratorial, intermédia e intertextual, norteada pela premissa fundamental: A arte pertence a todos(as) e todos(as) podem ser artistas, estabelecendo-se a criatividade como o verdadeiro capital, ideia que é devedora do artista alemão Joseph Beuys.

O manifesto assumiu neste quadro um importância central, dado que a tradicionais artes plásticas se diluem noutros territórios, adquirindo uma função social. O texto converge na prática plástica, tornando-se elemento incrustado. A arte passa a suster clara inscrição caligráfica resultado de contágios entre as diferentes linguagens, de uma atitude estético-crítica e da acção performativa.

Segundo Ernesto de Sousa, é necessário, “primeiro, elevar do Texto à função de intervenção permanente; segundo, não fazer profissão da sua arte; terceiro, mostrar que tudo é arte, que toda a gente pode fazer obras de arte; quarto, ocupar-se mesmo das coisas insignificantes, sem valor institucional; quinto, veicular a ideia que a arte deve ser limitada em quantidade, acessível a todos e, se possível, fabricada por todos.”  (Sousa, 1976, pp. 274-299)

Para Robert Filliou, o Fluxus é  “sobretudo um estado de espírito, um modo de vida impregnado de soberba liberdade de pensar, de expressar e de eleger. De certa forma o Fluxus nunca existiu, não sabemos quando nasceu, logo não há razão para que termine.”

O nome Fluxus –  flux em latim – significa contínuo movimento de liberdades, de ideias e obras. O seu desenvolvimento foi paralelo à Pop Arte e ao Conceptualismo nos Estados Unidos, definindo-se essencialmente pela negativa – “Fluxus não é…” -, e em torno do qual se reuniram músicos, escritores e artistas plásticos, bailarinos, actores, etc.

Surgiu simultaneamente em vários países, tendo sido para alguns, a primeira forma de globalização da arte. Este princípio globalizador deriva do objectivo de criar uma vasta comunidade de artistas em colaboração permanente. Por isso, para Ben Vautier, o Fluxus é essencialmente fluxo comunicacional, resumindo-se na ideia:  “l’essentiel est que je communique

This slideshow requires JavaScript.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s